terça-feira, janeiro 10, 2006

O autor e a sua obra


Uma história triste. Um garoto, JT Leroy, que vivia se prostituindo numa estrada da Virginia Ocidental, vai para São Francisco atrás de uma vida melhor, mas transforma-se num sem-teto viciado em drogas. E como desgraça pouca é bobagem, ele acaba contraindo o vírus da AIDS.
Mas um dia, o destino lhe sorri. O garoto é adotado por um casal, Laura Albert e Geoffrey Knoop, que lhe paga um tratamento psicológico e o garoto decide contar a sua triste história. E após três livros, o garoto vira uma celebridade, atraindo o apoio financeiro de famosos como Courtney Love, Tatum O’Neal, Billy Corgan, Shirley Manson e Carrie Fisher, sensibilizados com esta história de Cinderela, assim como a maioria dos leitores americanos que correram às livrarias.
Eu disse história de Cinderela? Sim, porque o tal garoto, na verdade, é Savannah Knoop (parece nome de travesti da Lapa), meia-irmã de Geoffrey Knoop. A fraude foi recentemente assunto de reportagem do New York Times e matéria de capa do Segundo Caderno do O Globo de hoje (10/01/06).
A grande questão no momento é sobre a qualidade literária dos livros da tal autora 171. Os críticos americanos confirmam que as histórias foram bem escritas. Os leitores americanos (influenciados, talvez, pela síndrome dos reality shows) acreditam que o fato de o personagem de um livro biográfico não ter existido, pode transformá-lo em um lixo e certamente vai surgir gente exigindo indenização.
Particularmente, acho tudo isso ridículo. Se a alguém conta uma ótima história biográfica sobre um personagem que nunca existiu, palmas para o texto e vaias para o autor. Principalmente se a intenção deste autor era obter vantagens financeiras, sensibilizando pessoas famosas. Se a fraude for realmente verdadeira, como tudo leva a crer que seja, esta Savannah Knoop tem que terminar atrás das grades. Mas fica o seu texto, que segundo os exigentes críticos novaiorquinos, é de boa qualidade.
Vamos dizer que o Alfredo Sirkis, que escreveu suas memórias no best seller Os Carbonários, viesse a público para dizer que foi tudo mentira. Os Carbonários deixaria de ser um bom livro? Por outro lado, vamos dizer que Dom Quixote tivesse mesmo existido e se descobrisse que foi ele que passou sua história para Cervantes. Isso diminuiria a grandeza da obra? Acho que temos que separar o autor e a sua obra. Muitas vezes uma obra literária não merece o autor que a criou.

8 Comments:

Anonymous Palpiteira said...

Que história mais louca! Impressionante como há picaretas no mundo. Independente do que acontecerá com a autora mentirosa, se for um bom livro, tá valendo.
Ela que seja puinda como a Justiça acha que deve, mas seu livro, não.
Beijo.
Ah, o belo lugar de hoje, como quase sempre, fica em Portugal; Albufeira, mais precisamente.

terça-feira, janeiro 10, 2006 7:18:00 PM  
Blogger Alba Regina said...

JC, pq palmas pro texto e zero pro autor? eu li a matéria no globo de hj...achei bastante interessante. particularmente não conheço o texto, então não posso falar nada. vc tbm acha q ela -ele, sei lá! deveria ser preso-presa? pq? um beijo!

terça-feira, janeiro 10, 2006 7:55:00 PM  
Blogger Julio Cesar Corrêa said...

Pois é, Claudia, neguinho faz de tudo pela fama. E obrigado pela dica, só depois, ao olhar melhor que fui ver que vc havia posto o local onde havia sido tirada a foto
bjs

A,
eu penso o seguinte, embora essa tal Savannah tenha sido a autora do livro, ela o escreveu para dar um golpe e por isso não deve ser perdoada. A sua obra, sim. Se for boa mesmo, deve ser poupada. Mas quanto a autora, com todo o seu talento, merece cadeia.
bjs

terça-feira, janeiro 10, 2006 10:12:00 PM  
Blogger luma said...

Foi uma idéia para ganhar dinheiro. E tantos livros têm por aí com teorias que ainda não foram provadas? Sei lá, pode ser história paga pra vender mais livro. Inventa-se personagens porque não inventar o autor, pseudônimos já não foram usados anteriormente? O que importa não é o livro?
Bem, vou lá ler a matéria que estou falando de um assunto que ainda não sei. Depois volto pra ver se escrevi besteira...rs.
Beijus

quarta-feira, janeiro 11, 2006 2:10:00 PM  
Blogger luma said...

Aí que delícia! A vida supostamente real também vai dar livro!! (rs*) + beijus

quarta-feira, janeiro 11, 2006 2:15:00 PM  
Blogger Julio Cesar Corrêa said...

Luma, acho que o NYT não iria fazer tanto auê por uma matéria paga. Continuo achando maucaratismo desta tal Savannah. E o importante é mesmo o livro.
bjus

quarta-feira, janeiro 11, 2006 5:56:00 PM  
Blogger Alba Regina said...

jc...tenha um pouco mais de bom humor com o cara ou a cara seja lá quem for...a confusão que ele/ela tá arrumando está ficando interessante...vou ler o livro, quer q te empreste depois? vc viu a cara do/da cara? não é uma mulher? só não vê quem não quer!!!! beijo!!!

quarta-feira, janeiro 11, 2006 7:38:00 PM  
Blogger Julio Cesar Corrêa said...

A, alguma semelhança com o Michael Jackson ao contrário não é coincidêcia. Que figura! O que não se faz para viver!
bjs

quarta-feira, janeiro 11, 2006 9:02:00 PM  

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